quinta-feira, 26 de março de 2009

Ballet, a arte

Dizem que ballet é uma arte. Pois é realmente uma arte. Uma mistura de artes. Mas só quem já o dançou conhece que artes são essas.

Ballet é a arte de se tornar uma boneca para quem vê. É a arte de olhar todos os dias para os seus pés e ver marcas, bolhas, calos e, muitas vezes, sangue. É a arte de colocar uma sapatilha que te faz perder a respiração. É a arte de subir nas pontas dos pés com uma leveza tão intensa quanto à dor que é subir. É a arte de fazer exercícios repetitivos incansavelmente, até alcançar a perfeição. É a arte de andar com uma postura tão delineada, que a vontade é de se jogar no chão. É a arte de ouvir gritos, se deparar com caras feias e, algumas vezes, sentir tapas frios. É a arte de sorrir quando dói. É a arte de subir firme no palco, mesmo quando seus músculos já não respondem mais aos seus estímulos. É a arte da solidão, em meio à inveja da vida perfeita que se diz a de uma bailarina. É a arte de respirar fundo, entrar no eixo e praticamente levitar, quando seus dedos podem estar quebrados e ninguém saber. É a arte de ter mais força que o Hulk, e expressá-la com a singeleza dos passos clássicos. É a arte de viver dentro de uma fantasia, anestesiada. É a arte de agradecer aos aplausos, como sendo o seu único momento de glória.

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